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| QUI, 23 DE MAIO DE 2013 | |
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O tema agrotóxico vem sendo tratado nas últimas décadas, por organizações ambientais, universidades e entidades científicas, como um dos assuntos mais complexos e preocupantes quanto aos impactos provocados por seus princípios ativos na dinâmica da biótica planetária. No entanto, embora os alertas tenham sido freqüentes e permanentes acerca dos perigos resultantes do uso de tais substâncias, o que preocupa é o crescimento vertiginoso de novas marcas de herbicidas, fungicidas, inseticidas etc., liberadas pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para o combate às “pragas” - porém, quando ingeridas pelo ser humano através dos alimentos, produzem alterações significativas no genoma humano, contribuindo para o aumento da incidência de doenças degenerativas, dentre elas, o câncer.
Foi a partir do fim da segunda guerra mundial que grandes empresas fabricantes de armamentos e substâncias químicas usadas para enfrentar os inimigos, dentre eles o gás mostarda e o desfolhante laranja, como forma de evitar a ruína financeira, reformularam seus parques industriais, passando a fabricar tratores e implementos agrícolas em vez de tanques; agrotóxicos para uso agrícola em vez de gás mostarda para uso bélico. Começava aí a longa e paradoxal epopéia de um novo modelo de agricultura, que rapidamente se espalharia por toda a Europa e os Estados Unidos e que chegaria ao Brasil a partir do começo da década de 1960, com a denominada “Revolução Verde”. Com a política desenvolvimentista adotada pelo regime militar, cuja proposta era expandir a fronteira agrícola em direção ao Centro Oeste e Norte do Brasil, transformando o país em um dos principais celeiros agrícolas mundiais, dezenas de corporações multinacionais ligadas às commodities foram atraídas, encontrando aqui ambiente propício para multiplicar suas fortunas e também se tornando co-responsáveis pela degradação de todo um ecossistema.
País do agrotóxico
A idéia de tornar o Brasil principal fornecedor de commodities, de recursos naturais e produtos agrícolas continuou pairando no imaginário das autoridades e do agronegócio até os dias atuais. Acreditava-se que, com a ascensão de governos populares, como a que ocorreu em 2002 com a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva, haveria uma transformação significativa nas políticas que vinham sendo adotadas na área econômica, abrindo caminhos para um grande debate nacional a fim de discutir qual o tipo de desenvolvimento melhor se adequaria aos interesses da maioria da sociedade brasileira. Tanto não aconteceu, como foram mantidas as mesmas políticas dos governos anteriores, e com um agravante: intensificou-se a degradação do ecossistema brasileiro com as políticas de incentivo ao agronegócio, de uso de agrotóxicos, de construção de barragens na Amazônica e de desestruturação das sociedades tradicionais, indígenas e quilombolas.
As políticas de incentivo ao agronegócio vêm cada vez mais aguçando os interesses de grandes companhias transnacionais ligadas à produção e comercialização de máquinas agrícolas, fertilizantes e “defensivos” agrícolas, que encontram no Brasil um porto seguro para multiplicar seus ganhos financeiros. Com todas as facilidades oferecidas pelo Estado às multinacionais ligadas ao agronegócio, e com a fragilidade dos órgãos fiscalizadores, um mercado paralelo ligado aos agrotóxicos também vem criando corpos mediante o aval de organismos públicos - Anvisa e Embrapa - e privados, que fazem vistas grossas quando da liberação a comercialização de substâncias tóxicas para uso agrícola, proibidas nos seus países de origem.
Para se ter noção da dimensão desse mercado, nos últimos três anos, o Brasil se tornou o maior consumidor de agrotóxicos, perto de um bilhão de litros utilizados, um crescimento de 190% em dez anos. Soja, cana-de-açúcar, algodão, tabaco e eucalipto são as variedades agrícolas que lideram no consumo de agrotóxicos. Nesse conjunto, destacam-se os agrocombustíveis e as espécies exóticas empregadas no reflorestamento (pinos e eucaliptos) ou para a queima nos fornos das siderúrgicas de ferro-aço.
Um dado estarrecedor é em relação ao volume de agrotóxicos movimentados no segundo semestre de 2012. Do total de 936 mil toneladas comercializadas, 833 mil foram produzidas no Brasil; o restante, 245 mil, foi importado. Somente as lavouras de milho, soja, algodão e cana-de-açúcar absorveram 80% do volume total comercializado. Em comparação aos demais países, em 2010 o Brasil comercializou 19% do total global de agrotóxicos, movimentando cifras equivalentes a US$ 7,3 bilhões. Este percentual garante ao Brasil um triste título de maior consumidor do planeta, ficando atrás apenas dos EUA, que movimentaram 51,2 bilhões de dólares. Entre as variedades de agrotóxicos com maior demanda agrícola, os herbicidas são os preferidos, representando 45% do total comercializado. Em segundo plano, estão os fungicidas, com 14%, inseticidas, 12%, e os demais, que, juntos, totalizam 29%. No ano de 2011, dos 75 milhões de hectares plantados com culturas temporárias - soja, cana-de-açúcar, milho e algodão - e as permanentes - cítricas, café, frutas e eucaliptos -, o montante consumido chegou a 853 milhões de litros de agrotóxicos, sendo 12 litros por hectare ou 4,5 litros por habitante.
De acordo com dados do IBGE, entre os anos de 2002 a 2011, o consumo de pesticidas em milhões de litros saltou de 599,5 milhões para 852,8. Já o mercado de fertilizantes, que era de 491 milhões de litros, passou para 674,3. Diante desse quadro ameaçador, a flexibilização da legislação federal e do próprio código florestal, patrocinada pela bancada ruralista, que representa o agronegócio, tornando legal o cultivo e comercialização de espécies transgênicas, vem provocando discussões acaloradas quanto aos riscos dessas variedades modificadas para espécies da fauna, flora e a saúde humana. O que é visível nesse imbróglio legislativo são os lobbies patrocinados por grandes companhias que controlam as pesquisas e patentes das sementes e dos agrotóxicos. Além do mais, as mesmas empresas que são detentoras dos monopólios das variedades modificadas, especialmente das sementes de soja, dominam o mercado dos agrotóxicos, do fungicida glifosato, que é aplicado no combate da ferrugem asiática.
Dentre as variedades agrícolas cultivadas no Brasil, a soja participou com 40% do volume dos herbicidas, fungicidas, inseticidas, acaricidas entre outros, vindo em seguida o milho, com 15%; cana-de-açúcar e algodão, com 10%; cítricos, com 7%; café, trigo e arroz, com 3%; feijão, com 2%; pastagem e tomate, com 1%; maçã, com 0,5%; banana, com 0,2%; e demais culturas, com 3,3%. Sobre os registros no Ministério da Saúde e do Meio Ambiente, são 434 ingredientes ativos e 2.400 formulações. Dos 50 tipos de agrotóxicos mais utilizados nas lavouras do Brasil, 22 deles estão proibidos na União Européia. Em relação ao percentual de aplicação nas lavouras entre os estados da federação, o Mato Grosso do Sul lidera o ranking com 18,9%, ficando à frente de São Paulo, com 14,5%; Paraná, com 14,3%; Rio Grande do Sul, com 10,8%; Goiás, com 8,8%; Minas Gerais, com 9%; Bahia, com 6,5%; Mato Grosso, com 4,7%; Santa Catarina, com 2,1%; e os demais juntos somam 10,4%.
De acordo com as estimativas de crescimento das commodities/produtos primários, para 2020 a 2021, haverá um acréscimo significativo do consumo de agrotóxicos para três lavouras específicas: a soja, 55%; milho, 56,46%; e cana-de-açúcar, 45,8%. Análises laboratoriais realizadas em 63 amostras de alimentos apresentaram contaminações por metais pesados. Do total de ingredientes ou princípios ativos analisados, 28% deles não são autorizados pela Anvisa. As pesquisas comprovam que, nos últimos trinta anos, o governo brasileiro lançou quatro portarias visando a legalização de agrotóxicos para uso agrícola. A primeira delas ocorreu em 1977, quando foram homologados 12 tipos; em 1990, foram 13; em 2004, foram 22 tipos; enquanto que, em 2011, o governo legalizou 27. Portanto, entre a primeira e a última portaria, houve um aumento de novas marcas que superou 100%.
Mercado em expansão
Durante algum tempo o problema dos agrotóxicos era exclusivo das regiões centro sul do Brasil. Atualmente, a incidência de tais substâncias vem se espalhando para outras regiões do Brasil, dentre elas o Nordeste, que tem na fruticultura uma das suas principais matrizes econômicas. Por ser uma atividade que se sustenta graças à irrigação, a aplicação de substâncias tóxicas em quantidades elevadas está agravando a qualidade do solo e dos mananciais hídricos, que abastecem a população da região. Situação semelhante ocorre no Centro Oeste do Brasil, mais especialmente no estado do Mato Grosso do Sul, cujas águas dos rios e a própria chuva vêm apresentando elevadas incidências de contaminação por metais pesados.
Como se não bastasse o problema dos agrotóxicos, está em discussão no Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente) a liberação de portaria visando a reutilização de resíduos industriais, como sobras de fundição de siderurgia, para a produção de micronutrientes a serem empregados na produção de fertilizantes agrícolas. O que causa preocupação é a quantidade de metais pesados presentes nos insumos, como chumbo, arsênico, cádmio, mercúrio manganês etc. A pressão de entidades ambientais e científicas contrárias a esta aberração é em decorrência da insustentabilidade da proposta de resolução do Conama.
No primeiro Congresso Mundial de Nutrição e Saúde, ocorrido no Rio de Janeiro em 2012, além das diversas temáticas que foram abordadas no campo da alimentação sustentável, o que marcou o encontro foi o manifesto promovido pelos presentes contrários à resolução do Conama, que tenta liberar a produção de micronutrientes para a produção de fertilizantes a partir de resíduos industriais. Pois, ocorrendo a liberação, intensificará a contaminação do solo e dos alimentos, com impactos imprevisíveis ao ambiente e à saúde humana. O mercado dos agrotóxicos, insumos e das sementes, além de movimentar cifras bilionárias anualmente, que supera o PIB de vários países, tem a fabricação e comercialização desses produtos controladas por um cartel (acordos entre si) constituído por seis grandes multinacionais - Basf, Bayer, Dupont, Monsanto, Syngenta e Dow. O poder é tanto que, em países com pouca tradição democrática, como o Brasil, muitos dos agrotóxicos e sementes modificadas liberados para comercialização ocorreram mediante acordos públicos envolvendo empresas como a Embrapa, considerada uma das mais conceituadas no campo das pesquisas agropecuárias no mundo.
Em se tratando de Brasil, nas empresas gigantes do agronegócio, 90% dos produtos formulados para a produção de inseticidas, fungicidas, herbicidas etc. são de matéria prima oriunda da China. Outro dado assustador é o modo como são comercializados esses produtos: 44% ocorrem direto com o cliente; 24% vão para a indústria; e 32% têm como destino a revenda. Com base nesses números, o que fica evidenciada é a situação de risco no qual a população brasileira está assentada. Não há como controlar tamanha aberração e o pior de tudo é o desconhecimento quase por completo do teor de toxidade dos alimentos consumidos atualmente pela população. Uma das saídas, como forma de evitar possíveis contaminações, seria procurar caminhos alternativos, como o consumo de orgânicos, porém, os preços cobrados inviabilizam a aquisição dessas variedades, especialmente pela população de baixa renda.
Falta de rigor na regulação
Outro aspecto estarrecedor é quanto ao valor pago à Anvisa pelas multinacionais para registrar um novo produto. A cada nova marca registrada, a Agência reguladora recebe noventa reais. Nos Estados Unidos, o valor cobrado pela EPA chega a 600 mil dólares. Além do mais, lá existem 854 técnicos trabalhando na regularização dos registros de agrotóxicos, enquanto no Brasil o número de profissionais é de aproximadamente 50.
Como foi anteriormente descrito acerca dos oligopólios que controlam o mercado dos agrotóxicos, na área da alimentação, o domínio se dá através do comércio varejista, reunindo três grandes multinacionais – a Nestlé, com 26%, vindo atrás as empresas Coca Cola e Pepsi. Na área dos fertilizantes, o controle é dividido entre a holandesa Bunge, Yara e Mosaic. Um dado importante acerca do mercado dos fertilizantes no Brasil, no começo da década de 1990, empresas estatais como a Fosfértil e Ultrafértil mantinham o controle desse segmento. Com a abertura econômica patrocinada pelo ex-presidente Fernando Collor de Mello e levada adiante pelos sucessores, as empresas transnacionais vinculadas ao agronegócio encontram no Brasil espaço fértil para expandir seus negócios, aproveitando as vantagens oferecidas pelo Estado mediante subsídios fiscais.
Com essas políticas, abriram-se as portas para que companhias estrangeiras conquistassem no Brasil status de poder capaz de influenciar os poderes legislativos e executivos na regulação de leis menos restritivas, especialmente no que tange a comercialização de fertilizantes e agrotóxicos. Nesse aspecto, diante da concepção de economia sustentável que o governo brasileiro tenta incutir no imaginário social, na defesa de uma alimentação mais saudável e nutritiva, esconde-se uma política perversa e terrorista, dominada por setores agroquímicos, que vêm introduzindo a venda casada de sementes geneticamente modificadas e agrotóxicos.
O argumento utilizado para justificar essas políticas de estímulo à transgenia refere-se à escassez de alimentos em face de forte demanda populacional. O problema, no entanto, não está na escassez, e sim na forma como é distribuído o alimento, onde se privilegiam os países mais ricos, que absorvem maior parcela do que é produzido globalmente. Com isso, o combate à fome e à pobreza extrema exige enfrentamento de suas causas profundas, que estão na forma como tais sociedades foram organizadas, divididas em classes, uma que detém a maior parcela das riquezas produzidas, e outra, que congrega a base da pirâmide social, refém das políticas assistencialistas dos governos e condicionada à dependência da classe dominante. No caso brasileiro, o problema da fome e da miséria está vinculado ao modo como a propriedade agrícola está constituída, controlada por grandes corporações do agronegócio, pautadas numa matriz agrícola baseada na monocultura de exportação.
Pautada numa política de custo-benefício, a introdução dos transgênicos se apresenta como um divisor de água entre o tradicional e o moderno no que tange a cultura de alimentos. É preciso relativizar os argumentos lançados por entidades científicas acerca da segurança do consumo das variedades geneticamente modificadas. Além do fato de a semente passar por um processo de mutação genética, que não se sabe ainda qual o risco que pode provocar nos organismos vivos, há ainda o agravante de que a mesma se torna resistente a certos agrotóxicos.
Epidemia de contaminações?
Em relação às substâncias tóxicas, de acordo com informações do Ministério da Saúde, anualmente 400.000 mil pessoas são contaminadas, totalizando quatro mil mortes. Porém, esses dados são relativos em virtude da precariedade dos órgãos da saúde que monitoram os dados. Muitas pessoas, ao procurarem a unidade de saúde apresentando algum sintoma suspeito de intoxicação, não têm, nos prontuários apresentados, relatos de ingestão ou contaminação por algum tipo de substância proveniente do manejo de agrotóxico. Portanto, admite-se que, de cada indivíduo avaliado com intoxicação, outros cinqüentas ficam de fora. O processo de contaminação do solo, dos alimentos e da intoxicação das pessoas no Brasil é ainda maior quando se sabe que expressiva parcela da população residente no campo, que apresenta baixa escolaridade. Outro fator é a falta de treinamento oferecido para o seu manejo dos instrumentos e aplicação dos produtos. Muitas vezes, por falta de instrução, o agricultor aplica inúmeras vezes o produto no solo, esperando uma resposta imediata. Não tem o conhecimento de que, quando aplicados no solo os aditivos que compõem o produto, como o glifosato, considerado um dos mais comuns, o mesmo sofre transformações moleculares, destruindo por completo os microorganismos responsáveis pela biodegradação - tanto das plantas, como do próprio componente químico, cuja durabilidade ou tempo de vida no solo pode ser pequena, média ou grande.
Também a falta dos microorganismos afeta a qualidade das plantas, tornando-as suscetíveis a novas pragas, cada vez mais resistentes aos venenos, fazendo com que o agricultor faça mais aplicações. Dentre as substâncias mais utilizados estão aqueles cuja composição química é formada pelos “organofosforados”. Análises feitas em abelhas em Itajaí/SC constataram a presença desse componente no seu organismo. Outro exemplo de contaminação ocorreu na cidade de Gavião Peixoto, interior de São Paulo, onde foi presenciada grande mortandade de abelhas. Após análises feitas, constatou-se que as mesmas apresentavam no seu organismo partículas de Fibronil, inseticida utilizado nos canaviais da região.
Em relação às abelhas, esse inseto está no planeta há mais de sessenta milhões de anos, e desenvolveu um sistema mutualista perfeito com os vegetais. São ou eram 40 mil espécies conhecidas no mundo; somente no Brasil esse número chegava a três mil. Das 250 mil variedades de plantas conhecidas e que produzem flores, 90% delas depende dos insetos para a polinização, sendo as abelhas uma das principais responsáveis pela dispersão do pólen. Porém, nos últimos anos, em decorrência do crescimento do uso de veneno na agricultura, vem se registrando o desaparecimento de milhares de colméias, especialmente nos países onde a aplicação de inseticidas e outras substâncias tóxicas têm sido maior, como nos Estados Unidos, alguns países europeus e o próprio Brasil.
Diante desse fenômeno, a EFSA, agência europeia que regula a comercialização de agrotóxicos, exigiu que fossem submetidos a exames três inseticidas da classe dos neonicotinoides produzidos pela Bayer. A entidade reguladora alega que estaria na aplicação desse inseticida uma das possíveis causas pelo desaparecimento das abelhas. Como tentativa de resolver o problema, países como Itália, França, Alemanha e Eslovênia proibiram o comércio dessa substância na agricultura. Além de a contaminação se dar sob a forma indireta, ou seja, mediante pulverização, outro processo que já está se tornado corriqueiro é a comercialização de sementes com veneno, que, ao germinarem, introduzirão no DNA das plantas partículas tóxicas que se acumularão no pólen das plantas.
O problema da fiscalização acerca do comércio dos agrotóxicos no Brasil é imenso, situação essa constatada quando da análise feita em alimentos, onde foi verificada a presença de partículas do agrotóxico “Metamidofós”. O estranho é que tal produto foi proibido na China junto com outros cinco produtos em 2007. A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) confirmou que, depois da sua proibição, houve aumento de importação do mesmo em 2008, e os gastos para sua aquisição superaram os 15 milhões de dólares.
Outro ingrediente ativo para vários inseticidas, herbicidas e acaricidas, o “Endossulfam”, considerado muito perigoso, o governo brasileiro proibiu sua importação a partir de 2011. No entanto, mesmo proibido, sua fabricação continuou até 2012, e, mesmo após essa data, a comercialização foi mantida, cujo prazo expirará em 31 de julho de 2013. Portanto, tal ingrediente continua fazendo parte dos agrotóxicos utilizados na agricultura brasileira. O que assusta em relação ao Endossulfam é que partículas desse ingrediente, em contato com o organismo humano, alteram o sistema imunológico, provocando doenças degenerativas como o câncer e lesões no fígado, rins e testículos, reduzindo a fertilidade. Com relação ao Endossulfam, em Petrolina e Juazeiro, municípios do estado de Pernambuco, cuja economia está baseada na fruticultura de irrigação, duas marcas de agrotóxicos que têm como base ativa o Endossulfam estavam entre as mais vendidas.
Como não bastasse o envenenamento da população pelas empresas que controlam o comércio de agrotóxicos, essas mesmas multinacionais jogam toda responsabilidade pela coleta e reciclagem das embalagens para o município ou para os próprios agricultores, que são forçados a promoverem campanhas de tríplice lavagem dos equipamentos e das embalagens dos agrotóxicos. No manuseio dos equipamentos e dos frascos, o agricultor corre novamente o risco de sofrer nova contaminação, como também a contaminação dos mananciais.
A região Centro Oeste do Brasil, onde estão concentradas as nascentes dos principais rios que alimentam o Amazonas e a Bacia do Rio da Prata, sofre com o processo de contaminação proveniente da expansão da fronteira agrícola. Dentre as dezenas de substâncias tóxicas aplicadas na agricultura de milho, algodão, cana-de-açúcar, o DDT faz parte do pacote, produto esse banido no Brasil desde 1985.
Jairo Cezar é professor de História da Escola de Educação Básica de Araranguá/SC
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Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP), denominada "Movimento Preserv'Ação" criada em 15/11/2011 com objetivos de promover a harmonização entre a sociedade e a natureza por meio de ações de gestão ambiental fundamentadas em parâmetros técnicos e científicos. www.oscipreservacao.webnode.com
sábado, 25 de maio de 2013
terça-feira, 14 de maio de 2013
Balneário Morro dos Conventos precisa de
mais respeito das autoridades públicas
Não é de hoje que organizações ambientais
como a Oscip Preserv’ação, vêm participando ativamente com dezenas de denúncias
aos órgãos ambientais e ministérios públicos de crimes ambientais no balneário Morro
dos Conventos, com destaque as construções irregulares em áreas de APP, muitas
das quais embargadas por não apresentarem licenças ambientais. Das inúmeras denúncias e ofícios encaminhadas
solicitando audiências à Fama, Polícia Ambiental, Ministérios Federal e
Estadual, pedindo providências para coibir os infratores, muitas das ações não
tiveram respostas ou continuam arrolando na justiça esperando decisão
definitiva.
Um tema importante que os membros da
Oscip Preserv’ação vem discutindo insistentemente nos encontros, que ocorrem de
quinze em quinze dias, é sobre a necessidade urgente de debater os problemas
ambientais do balneário com a sociedade araranguaense e o poder público, como
também encaminhar propostas alternativas que proporcione o desenvolvimento do
bairro sem comprometer o frágil ecossistema. É consenso de todos que o modo
como vem se sucedendo a ocupação e a mobilidade na parte inferior do balneário,
sem um planejamento adequado, acredita-se que as futuras gerações cobrarão de nós,
pois se depararão com um ambiente totalmente modificado, sem dunas, sem
restinga e, na praia, uma placa fixada alertando a população de que a água é
imprópria para banho.
Um dos caminhos possíveis para evitar
que problemas como esses não ocorram, garantindo o desenvolvimento com
preservação, é colocar em prática o que já vem sendo discutido há
aproximadamente 20 anos, ou seja, a criação de uma Unidade de Preservação
abrangendo a vasta área da falésia e todo seu entorno, incluindo as dunas e
restingas. Tal iniciativa deve ser coordenada pelo poder público municipal,
porém, em hipótese alguma, deve excluir das discussões a população do bairro e
do município, com também as entidades não governamentais vinculadas ao meio
ambiente, órgãos ambientais, ministérios públicos e demais seguimentos da
sociedade.
O não cumprimento dessas etapas, que se
concretizaria com a efetivação da unidade de preservação, qualquer proposta ou
empreendimento idealizado para o Balneário deve ser questionado e combatido. É
inadmissível que representantes do poder público municipal, tanto do
legislativo como do executivo, ocupem espaços da mídia local prometendo
projetos mirabolantes para o balneário sem compreensão clara do seu teor. Acredita-se que a própria população, que
conhece detalhadamente cada metro quadrado do bairro, de imediato percebeu que
tais idéias lançadas não apresentam nenhuma consistência. Como é fácil ir ao
rádio ou a TV e abrir o verbo com promessas sem que a própria população tivesse
conhecimento prévio do projeto apresentado ou, quem sabe, algum membro da Oscip
Preserv’ação fosse consultado para ouvi-lo (la) e solicitar sugestões.
Nada disso ocorreu, e por isso, os membros da Oscip Preserv’ação vêm a
público repudiar tais “delírios” para o balneário, sem que antes a população ou
a entidade ambiental sejam ouvidas. Não podemos aceitar que continue
prevalecendo no município de Araranguá práticas antigas de governo, onde tudo
era pensado e decidido por um grupo de ditos “iluminados”, que por estar a
frente de um cargo, acham-se no direito de decidir por si próprio o que é “desejado”
pela sociedade. Esse tipo de prática autoritária deve ser combatida. Ouvir
atentamente o que pensam as pessoas, o que desejam para o seu bairro, é uma
prática que deve ser exercitada dia após dia, ano após ano, pois só assim será
possível construir uma cidade verdadeiramente sustentável e livre.
quarta-feira, 27 de março de 2013
Um
olhar atento acerca dos problemas da água no Brasil e no vale do Araranguá
As últimas estiagens ocorridas no
sul do Brasil, em especial na região do vale do Araranguá, entre os anos de 2011
a 2012 serviu de alerta para mostrar a todos (as) de que a água é um recurso
mineral finito e indispensável à sobrevivência animal, que persistindo as práticas
equivocadas quanto ao seu manejo e do próprio solo, a próxima estiagem certamente
pode se prolongar por vários anos, proporcionando conflitos generalizados pela
disputa desse mineral. Para ilustrar, no ano de 2012 ocorreram no Brasil,
envolvendo 19 estados, 115 conflitos relacionados com a água e que totalizaram
184.925 pessoas envolvidas.
O que gerou espanto e preocupação por parte da
população da região do vale do Araranguá, no período da estiagem, habituada com
a abundância das chuvas nos últimos tempos, foi à redução significativa dos níveis
dos mananciais de abastecimento público como a Barragem do Rio São Bento no
município de Nova Veneza e a secagem completa de poços e aquíferos
subterrâneos, levando algumas prefeituras a decretarem situação de emergência, forçando-as
a recorrerem a carros pipas para atender as comunidades rurais que foram as
mais afetadas.
O drama da falta d’água sentida na
região sul contribuiu para refletir sobre erros que vem sendo cometidos acerca
do seu uso e principalmente o modo pelo qual o solo está sendo manejado para uso
agrícola. A rizicultura de irrigação e a fumicultura se tornaram nas últimas
décadas nas principais atividades econômicas de vários muitos municípios da
região sul de Santa Catarina. A cultura do arroz irrigado é sem sombra de
dúvidas a atividade que vem gerando discussões acaloradas quanto ao seu manejo,
demandando volumes elevados de água especialmente na estação cuja incidência de
chuvas é menor. Motivada pelos preços atrativos pagos ao produtor, a cada ano vastas
áreas de várzeas são ocupadas por novas plantações e cuja captação da água é
proveniente dos afluentes e subafluentes do Rio Araranguá. O agravante é que tal cultura continua adotando
práticas ainda danosas ao ecossistema como uso indiscriminado de herbicidas e
outras substâncias tóxicas que contaminam as águas superficiais e as
subterrâneas que abastecem os aqüíferos.
Com base em relatórios de análises realizadas
pelo SAMAE acerca da qualidade das águas subterrâneas do município de
Araranguá, entre os anos de 2006 a 2010, chegou-se a conclusão assustadora de
que a água oriunda do subsolo consumida por expressiva parcela da população apresenta
altos níveis de contaminação por metais pesados como manganês, alumínio, ferro
e nitrato. A presença desses elementos e de outros não investigados, acima dos
níveis aceitáveis pela Organização Mundial de Saúde, serve de alerta para que
as autoridades do município adotem medidas emergenciais visando identificar os
fatores que levaram e ainda levam sua contaminação. Em relação aos efeitos
desses metais pesados ao organismo humano recomenda-se ler o artigo elaborado
pelo professor Jairo Cezar “mananciais subterrâneos de Araranguá estão
contaminados”
http://morrodosconventos-jairo.blogspot.com.br/2011/06/aguas-subterraneas-de-ararangua-estao.html,
para conhecer mais acerca dos riscos à saúde que estão submetidas às populações
quando ingerem tal líquido.
Especula-se que o problema da
contaminação dos lençóis subterrâneos tenha alguma relação com a própria
constituição geomorfológica da região, ou seja, o tipo de rocha existente ou a
presença de matéria orgânica em decomposição nos limites do aqüífero. Para
resolver o problema da contaminação por alguns desses metais, a recomendação de
profissionais entendidos do assunto é rebaixar ainda mais poços de modo que
ultrapassem as camadas de rochas possivelmente responsáveis pela contaminação. A
hipótese de ser a estrutura geológica do município responsável pela
contaminação dos aquíferos é questionada por ambientalistas e pesquisadores.
Admitir que o problema seja resultante da disfunção físico/química do próprio solo,
excluem do debate outros fatores como o antrópico/ação humana, que progressivamente
vem recebendo solidariedade de expressiva parcela da sociedade.
A causa antrópica realmente tem que
ser considerada, pois nota-se que no relatório, a presença de nitrato na água é
mais freqüente nas áreas rurais, especialmente em solos arenosos utilizados na
cultura do fumo. Desconsiderar tais
informações por parte das autoridades ligadas à saúde do município é se colocar
a margem de um problema que, com razão, pode também estar relacionado ao
agravamento de doenças degenerativas e cardiovasculares cujos índices.
Embora o relatório com as amostras
de contaminação tenha sido divulgado em 2011, não há informações de que tenha
havido manifestações do poder público na solução do problema. Portanto, é
recomendável que cidadãos e cidadãs que captam a água para o consumo do subsolo
através de ponteiras e poços, façam análises periódicas da mesma para verificar
a existência de metais pesados ou outras substâncias contaminantes.
O problema da água não é
exclusividade da região do vale do Araranguá e nem a cultura do arroz e do fumo
são consideradas as principais vilãs. A questão é mais complexa e deve ser
tratada com prioridade envolvendo gestores públicos e a sociedade civil
organizada de modo a buscar soluções conjuntas acerca do manejo e uso
sustentável desse recurso. A proposta de integrar governantes e a
sociedade civil no debate de políticas ligadas a questões ambientais, cada vez
mais vem demonstrando que tais iniciativas continuam ainda muito aquém do
esperado. Isso ocorre devido ao modelo desenvolvimentista que está sendo adotado
no Brasil, pautado em políticas públicas cujo montante dos recursos orçados são
direcionados para grandes obras de infraestrutura como hidrelétricas ou médias
barragens como a do Rio do Salto, no município do Timbé do Sul, cujo projeto se
arrasta a mais de trinta anos envolto de incertezas.
Além dos conflitos pelo uso da água
que se expande no sul de Santa Catarina, em âmbito nacional o destaque é a
alteração do fluxo normal do Rio Xingu com a instalação da Hidrelétrica de Belo
Monte, no Pará, que está alterando todo um ecossistema, levando a extinção de
centenas de espécies da fauna e flora local, sem contar o impacto social nas
comunidades tradicionais que habitam essas terras há séculos.
Outro caso emblemático e exemplo de
desperdício de dinheiro público é o controverso projeto de transposição do Rio
São Francisco, cuja versão oficial é levar água do São Francisco para atender
as populações do semi-árido nordestino afetadas pela estiagem. A justificativa não
oficial dá conta de que os recursos disponibilizados superiores a cinco bilhões
de reais são apenas para obras infraestruturais como construção de túneis e
desvios de morros para atingir os grandes açudes de região. O que não é
divulgado pela mídia são as falhas grotescas que estão sendo cometidas na
execução da obra como traçados mal feitos, túneis construídos em locais e que
deveriam ser em outros, etc., etc.
A conclusão da primeira parte do
projeto, cuja meta seria para 2014, tudo indica que dificilmente será entregue
em tempo hábil. A obra de transposição, de acordo com informações provenientes de
organizações não governamentais da região afetada está bem dizer parada devido
a não transferência de recursos federais para as empreiteiras responsáveis pelos
lotes, sendo a justificativa apresentada são as grandes obras para a copa do
mundo de 2014.
Se já há problema para a conclusão
da primeira etapa do projeto que é levar água até os grandes açudes, como
ficará a próxima etapa, cuja finalidade é transportá-la até os açudes, às
cidades e as áreas rurais? A dúvida é lançada porque essa fase não está
incluída no orçamento inicial, devendo passar por um novo processo tanto de
licitação como de avaliação orçamentária.
Como se vê, o desrespeito das
autoridades governamentais e dos representantes do capital com o líquido
sagrado (água) é imenso. O fato marcante do século XXI no Brasil, que provocou
indignação por parte da sociedade, organizações não governamentais e
comunidades científicas foi a aprovação da lei do novo Código Florestal, cujo
texto, de forma explícita, procura institucionalizar a ilegalidade no campo,
flexibilizando as regras ambientais anistiando os desmatadores e abrindo
caminhos para a expansão do agronegócio.
O que se constata analisando as
políticas públicas implantadas pelos últimos governos brasileiros é o processo
perverso de entrega do que resta do setor público à iniciativa privada, em
especial o controle da água. Quando se observa projetos faraônicos e
bilionários que estão em execução como as inúmeras hidrelétricas e a transposição
do rio São Francisco, se tem certeza de que tais empreendimentos terão o
controle da iniciativa privada. Portanto, a água deixará de ser um bem público
e garantido constitucionalmente a todos, transformando em mercadoria que visa o
lucro.
É preciso combater incisivamente
esta cultura privatista que está sendo inculcada pela mídia conservadora com
pretexto de desmoralizar tudo o que é público, fazendo acreditar que
transferindo à iniciativa privada como o controle dos portos, a extração de
recursos minerais, a produção de energia elétrica e distribuição da água, tais serviços
serão melhorados e com taxas menores pagas pela população.
A água, como um recurso mineral
essencial à vida não poderia estar sendo tratada da forma tão irresponsável
como ocorre. A mudança de comportamento quanto ao seu uso deve ser
intensificada. Além do mais deve ser compreendida como alimento sagrado, fonte
da vida para todas as espécies vivas. Para concluir, é imprescindível levar a
sério o que dizem as avós anciãs das diferentes culturas tradicionais
espalhadas pelo planeta sobre a água. Na
fala de cada uma delas pertencente aos grupos Omyone Gabão, África;
Chayene/Arapaho – Montana/EUA; Céu do mapiá – Amazonas/Brasil; Mazateca, oaxaca/México;
Tupi-Guarani/Brasil, entre outras, deixa claro que somos gerados no útero de
uma mulher, uma bolsa repleta de água, no qual ficamos nove meses protegidos
pelo seu fluído. A terra, portanto deve ser comparada a um útero cujo líquido
sagrado, a água, fonte de vida, merece todos os cuidados como se fosse um bebê.
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013
Festas, Alegria e Depredação
Ambiental no Balneário Morro dos Conventos
Como
ocorrem todos os anos no Balneário Morro dos Conventos, as festividades alusivas
ao carnaval vêm gerando preocupações à população e entidades ambientais,
especialmente em relação ao trecho ou estrada que faz ligação ao Yate Clube. Toda extensa área que
abrange o entorno do clube concentra um dos mais complexos ecossistemas de
dunas e restingas do estado que possibilita a reprodução de espécies frágeis da
fauna e da flora, cujo impacto, mínimo que for, produzido por ruídos
estridentes, lixos de todas as espécies, deslocamento de pessoas ou veículos,
coloca em risco a sobrevivência dos mesmos.
Vem
se tornando rotina a cada carnaval, especialmente nos sábados e segundas feiras,
milhares de pessoas, muitas das quais completamente embriagadas, enfileirarem
seus automóveis com sons automotivos ensurdecedores na estrada que dá ligação
ao clube esperando sua abertura. O pior desse ritual de delírio e de pseudo
alegria instigada pelo álcool e outras drogas, é que não há nenhuma
infraestrutura no local como banheiros químicos, lixeiras e outros equipamentos
para proporcionar condições satisfatórias para que os farristas se divirtam com
segurança, minimizando os impactos que são irreversíveis ao ecossistema local.
Aqueles
que por ventura ousaram neste domingo pela manhã ou na terça feira, aventurarem-se até as proximidades do Yate
Clube, certamente ficaram assustados e estarrecidos com tamanha depredação. São
milhares de latas, garrafas, sacos plásticos e outros objetos espalhadas por
todos os cantos. Embora houvesse naquela manhã de domingo duas pessoas recolhendo
o lixo no caminho de acesso ao clube, ambos certamente não fariam uma limpeza completa, pois parte desses
dejetos estavam espalhados por entre as plantas, árvores ou já cobertos pelas
dunas. Sem contar o transito de veículos trafegando sobre as dunas, prática
extremamente degradante e proibida no local, porém sem nenhuma fiscalização.
Não
é possível que a cada gestão, a cada novo governo não se consegue uma solução plausível
para um problema tão grave e impactante como esse. O balneário Morro dos Conventos por sua
complexidade e peculiaridade ambiental deve receber atenção especial por parte
das autoridades e da própria população. Não
podemos permitir que meia dúzia de pessoas continue recebendo privilegiadas e se
eximindo de qualquer obrigação quanto à obrigatoriedade de reparar os danos provocados
sobre o ecossistema local.
Para
próxima temporada algumas medidas para conter o impacto na região devem ser
tomadas como a proibição de filas e estacionamentos de veículos nas margens da
estrada que dá acesso ao clube. Deverá o clube oferecer gratuitamente aos
foliões meios de transportes coletivos, tanto para levar como para trazer as
pessoas depois da festa.
sábado, 22 de dezembro de 2012
A Ilegitimidade do Plano Diretor de
Araranguá
Depois de quase dois anos de intensos
debates e com a participação de dezenas de delegados (as) eleitos (as)
democraticamente nos suas comunidades e participando efetivamente da construção
de um Plano Diretor realmente viável e democrático para o município de
Araranguá, no final da última semana, sexta feira, 14/12, uma notícia bombástica pegou a todos (as) de surpresa,
inclusive o próprio grupo Gestor. A informação foi de que um documento com
aproximadamente 40 emendas, sendo que 25 delas relativas ao meio ambiente, estaria
para ser protocolada na Prefeitura, possivelmente até o dia 17 de dezembro,
segunda feira, e que possivelmente seria apresentado em SESSÃO EXTRAORDINÁRIA na Câmara
de Vereadores no próximo dia 18/12/12, quarta feira, às 14 horas.
O que é mais grave em relação às emendas
é de que os responsáveis pela sua elaboração e protocolamento não respeitaram
os prazos regimentais previstos, sem contar é claro que muitos dos artigos ali
contidos como a proibição da extração de carvão mineral em território
araranguaense foram suprimidos ou vetados pelos (as) próprios (as) delegados
(as) em reuniões ordinárias ocorridas durante os três anos do Plano Diretor, A sociedade araranguaense não pode mais
admitir, que depois de ter
experimentado uma cultura de ditadura por mais de 20 anos, que indivíduos que
estão a frente do comando do legislativo, adotem comportamentos ou posturas
totalitárias, definindo de acordo com seus critérios o “melhor caminho” que a
sociedade araranguaense deverá seguir.
É preciso esclarecer a todos (as) que o
poder legislativo, seus representantes, os vereadores, tem o papel
constitucional de representar os interesses de toda a sociedade, sem
privilegiar indivíduos ou grupos econômicos. O exercício da transparência e da
democracia devem prevalecer em todos os aspectos
da vida pública, cabendo ao poder legislativo dar exemplo, assumindo o compromisso ético e
moral de fazer com que tais princípios norteiem o dia a dia dos (as) cidadãos
(ãs) e das organizações. Porém, o comportamento de membros do legislativo em
sessões ocorridas nos últimos dias, em especial na votação dos projetos do
plano diretor, deixou dúvidas quanto ao comportamento de alguns legisladores,
transparecendo total parcialidade de suas decisões privilegiando grupos de interesses,
apostando na passividade e ignorância da
população araranguaense.
Embora não sendo unanimidade, centenas
ou milhares de cidadãos araranguaenses
ainda acreditam que o poder legislativo araranguaense jamais se
deixará envolver-se por manobras
políticas obscuras, sendo possível dar um voto de credibilidade aos mesmos
admitindo que manterão uma postura de independência e responsabilidade acerca
de seus compromissos com a sociedade. O
caso da sessão extraordinária da Câmara para o dia 19 de dezembro, às 14 horas,
colocaria por terra qualquer certeza de que a câmara de Araranguá seria
incorruptível. No sábado, 15 de dezembro, nas dependências da ACIVA ocorreu
reunião extraordinária envolvendo membros do grupo gestor e alguns delegados
para que fosse discutido estratégias visando convencer os interessados pela sessão extraordinária na
câmara para que revissem tal postura e transferissem para próxima gestão as
discussões e apreciações dos projetos do plano diretor em decorrência da
enormidade de questões ainda pendentes e que necessitavam ser analisados. Sem
contar que temas como Uso e Ocupação do Solo e Mobilidade Urbana ainda não
foram discutidos pelos delegados e considerados um dos mais importantes do
processo.
Depois de quase duas horas de discussão,
Leonardo Tiscosky, Secretário da Administração e coordenador das reuniões foi imbuído
de contatar com o presidente da câmara municipal para que o mesmo fosse a sede
da ACIVA e relatasse de forma detalhada os reais motivos da votação em caráter
de urgência os projetos do Plano Diretor sem que tivessem passado por uma
exaustiva discussão com a sociedade e
discutido em audiência pública.
A espera se prorrogou até o meio dia, não
comparecendo e nem justificando a ausência, deixando ainda mais explícito o
caráter duvidoso da sessão extraordinária da Câmara. Não tendo sucesso a
primeira ação, um plano B foi apresentado pelos presentes, ou seja, a
construção de ofício denúncia a ser encaminhado ao Ministério Público Estadual
solicitando liminar para cancelamento da sessão da câmara, cujos argumentas apresentados foram os seguintes: a)
a tramitação do Projeto de Lei não pode ser sumária e superficial, o famoso
rolo compressor; b) respeitar o processo de participação dos delegados às
reuniões; d) o legislativo precisa estar capacitado e isento para promover
audiências públicas e analisar a proposta de acordo com os interesses
coletivos; e) todas as críticas, sugestões, emendas e propostas devem ser
analisadas e sua inclusão ou rejeição deve ser justificada; f) as modificações
que vierem a ser feitas devem ser coerentes e apresentadas publicamente, com
transparência e o Projeto de Lei deve ser votado em dia e horário que permitam
a presença da imprensa e de todos os segmentos que participaram do processo.
As justificativas apresentadas e bem
fundamentadas, não deixava dúvidas de que seria acatada de imediato pelo ministério
público. No entanto, não foi o que ocorreu, pois segundo seu representante, em
decorrência da enormidade de processos existentes na sua expressiva maioria relativas
as eleições ocorridas em outubro, não haveria tempo hábil para formular
qualquer parecer acerca do pedido. Esgotando as possibilidades com judiciário, outra
reunião foi marcada para terça feira, também na sede da ACIVA, cujo vereador
Eduardo Merêncio (Chico) se encarregou de convidar os demais vereadores para
que comparecessem e tratasse do assunto com os membros da sociedade civil.
Apenas os vereadores Chico e Rony se
fizeram presentes. No encontro foi discutido sobre a possibilidade de quem sabe
na câmara, antes das votações reunir os legisladores e pedi-los que votassem
contra, pois do contrário estariam desrespeitando todo um processo democrático construído
em três anos trabalho.
Para que o projeto fosse recusado seriam
necessários cinco votos dentre os nove vereadores presentes. Havia uma possível
chance de que os vereadores Goto Preto, Anísio, Jacinto, Abílio Pereira e Chico
repudiassem o projeto. Durante a tarde de terça e manhã de quarta feira a Oscip
Preserv’Ação mobilizou seus membros para se fazer presente na sessão, pois
estava na pauta documento com 25 emendas na área ambiental, sendo que a sua
maioria vinculada ao balneário. Quarta feira, 18, às 14:30 aproximadamente, o
presidente da câmara abriu a sessão e, segundos depois, deu por encerrada por
tempo indeterminado.
Os 50 cidadãos (ãs) que se fizeram presentes na câmara, ficaram embasbacados com tal atitude. A
explicação que veio minutos depois de
que o cancelamento foi motivado pela ausência dos vereadores que possivelmente
votaria pela aprovação dos projetos, deixando claro toda a intencionalidade do
ato. Depois de 15 minutos de interrupção, o presidente retornou à câmara reabrindo
a sessão, no qual pediu a palavra o vereador e secretário da câmara Chico lendo
ofício encaminhado ao ministério público estadual solicitando suspensão da
sessão. Da mesma forma o vereador Rony, seguindo o mesmo caminho do seu colega
também encaminhou ofício pedindo suspensão.
De forma categórica, o presidente
desconsiderou os documentos, indeferindo-os e autorizou que fosse dado
sequência a sessão com a leitura dos projetos e posterior votação. O Secretário
Leonardo, como coordenador do Plano Diretor, foi solicitado para fazer uma
breve retrospectiva do processo, ainda não conclusivo, das 66 semanas e 80
delegados, no qual vem resultando na construção do Plano diretor Participativo.
Como sendo um dos interessados na
votação do projeto na sua totalidade, justificou sua posição mencionando as
dificuldades de interpretação do estatuto da cidade que não deixa claro sobre
as necessidades ou não de promover audiência pública para sua apresentação.
Alegou que já teria havido audiência em outra oportunidade, portanto não
necessitaria de promover outra.
O próprio presidente da Câmara concordou
com o argumento do secretário Tiscosky. Porém, é importante ressaltar que tanto
o presidente como os demais legisladores, exceto o vereador Chico, não
participaram das reuniões do plano, salvo uma ou duas talvez. No entanto, se for analisado detalhadamente a
Lei 10.257/2001 )art.40, § 4, incisos I a III); da resolução 25/2005 (art. 4 ao
9) do Conselho das Cidades; e demais ordenamento jurídico sobre a matéria do
Plano Diretor, determinando a obrigação de que as discussões sobre a matéria
sejam as mais transparentes e democráticas possíveis, sendo que qualquer
emenda encaminhada para inclusão no
texto principal deveria ser protocolada e colocada para a apreciação da
sociedade respeitando o prazo regimental de 15 dias para que posteriormente
seja discutida em audiência pública. Também o documento recomenda a contratação
de uma equipe multidisciplinar para avaliar os projetos e sugere que as leis
correlatas sejam votadas simultaneamente, ou seja, em conjunto, pois são
interdependentes e muitas delas não foram apreciadas.
Portanto, qual a razão da pressa em querer
votar um projeto sem que estivesse concluído? No decorrer da sessão
extraordinária os vereadores Rony e Chico procuravam alertar os demais
legisladores de que as emendas encaminhadas
não eram de conhecimento da sociedade, pois as mesmas até às 10 horas da manhã
de quarta feira, dia da votação, não tinham sido protocoladas na prefeitura,
portanto, havia certeza absoluta de que nenhum vereador conhecia o teor das
mesmas.
Depois de lidas a emendas dos quatro
projetos de um total de cinco que compõe o documento base do plano diretor,
como o Código de Obras, Código de Mobilidade Urbana, Código de Posturas e
Código Ambiental, ambos entraram em discussão e posterior votação. Nas votações
dos quatro projetos, os vereadores Anísio Prêmoli, Rony, Gato Preto e Chico, votaram
em favor da rejeição. Enquanto que os vereadores João Abilio e Lulu, ambos do PSD; Daniel
Veriato e jacinto Dassoler, PP e Cabo
Loro, do PMDB, votaram a favor da aprovação do documento.
Durante o processo de votação foram
aprovadas também 11 emendas constitucionais, de um total de 25, todas
relacionadas ao código ambiental. Por que apenas 11 foram aprovadas e não todas
previstas? Supõe-se que o grupo que articulou a sessão para as 14 horas, não
esperava o expressivo número de populares nas tribunas, que pressionavam aos
vereadores e ao presidente da câmara sob
a forma de vaias, repudiando tais procedimentos. Muitos dos
parlamentares que votaram a favor das emendas, na próxima gestão, farão parte
da base de sustentação da próxima administração. Evitar um desgaste maior
talvez tenha sido a melhor estratégia assumida pelos mesmos. Essa hipótese pode ser verdadeira se for avaliada a sessão
ordinária da câmara que ocorreu horas depois quando foi colocado em discussão o
projeto de reforma administrativa da futura administração, que ampliará de 160
para 220 cargos comissionados. Apenas dois vereadores se colocaram contra o
projeto, sendo eles o vereador Anísio e Lulu, os demais votaram a favor a
reforma administrativa.
No entanto, dentro dos princípios da
transparência e da democracia, essa reforma deixou um sentimento de dúvidas,
principalmente quando vereadores, minutos antes, tinham tomado posições de
desrespeito a sociedade araranguaense, votando a favor de um plano diretor que
ainda não tinha sido concluído. Era de se esperar, que o referido projeto,
mesmo não havendo dúvidas quando a sua lisura, fosse primeiramente discutido com
a sociedade, ouvindo-as, acatando sugestões, fazendo valer os princípios da
gestão participativa, principal característica do partido dos trabalhadores,
quando da sua criação.
O que é estarrecedor diante do que
ocorreu na câmara foi o explícito desconhecimento da população e quem sabe dos
próprios vereadores quanto aos projetos que foram aprovados. Se os próprios
delegados, que durante quase três anos participaram discutindo artigo por
artigo cada projeto do código, ainda hoje possuíam dúvidas acerca do texto,
necessitando de uma audiência para que fosse feita uma analise mais sucinta do
documento, imaginem os representantes do legislativo, que não participaram das reuniões e cujos documentos ou emendas
tiveram acesso horas antes da votação.
O processo de votação foi tão patético,
que alguns vereadores não tinham ainda assinado os projetos que estavam sendo
votados, obrigando os funcionários da câmara a levá-los a suas mesas para que
assim o fizessem. Em relação ao código
ambiental, quando das emendas aprovadas, não há conhecimento até o momento no
que representa as mesmas em relação ao projeto que ainda estava sendo discutido
pelos delegados.
terça-feira, 18 de dezembro de 2012
Protocolo de kyoto,
15 anos de fracasso
Depois da grande Conferência Mundial sobre o
clima, conhecida como a Rio-92, que teve uma participação aproximada de 200 chefes
de estados, três anos depois na cidade de Berlim, Alemanha, realizou-se a
primeira Cop (Conferência das Partes), cujo objetivo foi traçar linhas
emergenciais para reafirmar itens discutidos no Rio de Janeiro como a imediata redução das emissões de gases responsáveis
pelo efeito estufa e aquecimento global, dentre eles o (Co2) dióxido de carbono.
No entanto foi em 1997 na cidade de Kyoto,
Japão, que ocorreu a Cop-3, considerada a mais importante depois da Rio-92, onde
chefes de nações, entidades ambientais e demais organizações, tiveram clareza da
real gravidade climática que vinha passando o planeta, das previsões negativas do aquecimento global e da
urgência de colocar em prática acordos assumidos em 1992, no Rio de janeiro,
com vistas a amenizar possíveis catástrofes climáticas previstas por cientistas
e estudiosos do clima para o século XXI.
Dentre as ações, a mais importante foi a
construção de um documento de intenções, chamado Protocolo de Kyoto, cuja
finalidade foi comprometer os países membros em especial os mais
industrializados a desenvolverem tecnologias limpas que reduzam o equivalente a
5,2% da emissão de gases poluentes a atmosfera entre os anos de 2008 a 2012, índices
estes relativos a 1990.
As assinaturas de ratificação ao
protocolo passaram a ser coletadas a partir de 1998, porém sua efetivação
somente ocorreu em 2004 após a aceitação e confirmação da Rússia. Para que o
Protocolo adquirisse validade seria necessária a assinatura de 55 países,
dentre eles os industrializados, que juntos respondiam por 55% das emissões de
gases estufa. São hoje 174 países que ratificaram o acordo, com exceção os
Estados Unidos. A Austrália passou a
integrar o grupo em 2007. Portando, dentre os países ricos apenas os Estados
Unidos continuam resistindo a acatar o acordo. Para se ter noção da gravidade
que é a não participação desse país fortemente industrializado, o mesmo
contribui, sozinho, com 36% da emissão.
O que vem se constatando desde o
encontro da Eco-92 e da primeira Conferência
das Partes é a elevação progressiva dos índices de poluentes na atmosfera. Os
acordos assinados visavam reduzir as emissões, porém, os relatórios
apresentados vêm gerando preocupação em decorrência do aumento significativo de
partículas geradoras do efeito estufa, ultrapassando todos os limites
inimagináveis.
Enquanto que em 1990, a emissões de
gases poluentes alcançavam cifras equivalentes a 22,7 bilhões de toneladas, 11
anos depois, em 2011, esse número já
tinha superado os 34 bilhões de toneladas.
O que causa apreensão e indignação as entidades que atuam em defesa do
ambiente, é o fato de que desde 1995, já
ocorreram 18 Conferências em países diferentes, com milhares de participantes e
com gastos públicos exorbitantes. No entanto, nos 15 anos de vigência do protocolo
de Kyoto a quantidade de poluentes lançados à atmosfera bateu todos os recordes
históricos, estando o planeta cada vez mais ameaçado. As previsões para os
próximos 8 anos não são animadoras. Acredita-se que até 2020, haverá um
crescimento de 20% a mais de emissão de gases
poluentes totalizando 40 bilhões de toneladas.
O fracasso do protocolo de Kyoto ocorreu
quando os países mais industrializados e que emitem cifras exorbitantes de poluentes
à atmosfera, se recusaram em implementar políticas mais severas para limitar e
emissão de gases. Os projetos adotados até o momento ainda são modestos, e a
justificativa pela não efetivação completa está na escassez de recursos disponíveis
e a substituição das plantas tradicionais por outras mais limpas requer grandes
somas de recursos financeiros. É visível
perceber que as políticas desenvolvimentistas ou tecnologias adotadas que estão
sendo adotadas são extremamente letais para o planeta resultando em catástrofes
climáticas cada vez mais freqüentes como furações e estiagens prolongadas. Portanto há uma combinação explícita entre elevação do PIB, aquecimento global e
mudanças climáticas. Será que para proteger o planeta de um possível hecatombe
global será necessário que as economias dos países sofram uma forte recessão
como que ocorreu nos Estados Unidos, entre os anos de 2008 e 2009, com redução
significativa Pib e também forte redução dos índices de emissões de Co2?
A Cop-18 , realizada em Doha, capital do
Catar, entre os dias 26 e 6 de dezembro de 2012, se configurou como um fracasso
já previsto. Com uma estimativa de 200
países presentes, nada significativo foi acordado, apenas a prorrogação do Protocolo
de Kyoto até 2015, quanto deverá ser discutido outras estratégias visando novos
acordos entre os países e a criação de uma nova agenda global sobre o clima.
O fracasso do encontro como das inúmeras
conferências realizadas está na recusa de países como Russia, China,
India, EUA, Japão, Canada e a própria União Européia de colocarem em
prática suas políticas de redução de Co2, sendo que juntos contribuem com mais
de 80% da emissão. O protesto dos países
industrializados ao protocolo está na não inclusão da China, India e Brasil como nações obrigadas ao
cumprimento da resolução de Kyoto. A
situação é tão delicada, pois a China, que é um país em crescimento, só em 2010
liberou à atmosfera 8,9 bilhões de toneladas de Co2, alta de 600 milhões.
Segundo alerta do Banco Mundial na conferência de Doha, se o ritmo de poluição
for mantido, haverá uma elevação aproximada da temperatura do plante em 4 graus
centígrados.
Um dos principais reflexos da elevação
média da temperatura global já pode ser percebido nas regiões ou cidadãs
situadas nas médias latitudes cujos picos de calor registrados no mês de
novembro de 2012 ficaram acima da média. O exemplo foi o município de Criciúma,
situado no sul de Santa Catarina na latitude 28º40, cujos termômetros acusaram 39,8
graus centígrados.
Na 17ª Conferência das Partes ocorrida
na cidade de Durban, África do Sul, com a participação de 194 países mais os
industrializados chegaram num consenso de prorrogar o protocolo de Kyoto para
mais quatro ou sete anos com início em 2013. Porém nesse tratado os Estados
Unidos estão excluídos por não ratificar o protocolo, enquanto que países como
China, Índia e Brasil não há obrigatoriedade para que os mesmos cumpram
rigorosamente os acordos. Um avanço em Durban foi a criação de uma comissão que
irá elaborar um novo acordo a partir de 2012, na Conferência de Doha, Catar, em substituição ao de 1997. Esse documento
terá um prazo de três anos para ser construído e entrará em vigor em 2015.
No Catar, o que foi hegemônico entre os
participantes foi a constatação de que a
agenda de Kyoto não resultou em ganhos substanciais para o planeta, durante os
15 anos de existência. A dúvida e o
ceticismo que perpassou entre os participantes ligados a organizações em defesa
do ambiente é quanto as promessas lançadas para os próximos 8 anos. O que vem
ocorrendo tanto entre as nações que aderiram o protocolo como aquelas que
ficaram de fora são a implantação de programas ambientais isoladas como a Austrália que promete reduzir
5% de CO2, enquanto que os Estados Unidos
propõem ações mais ousadas, ou seja, em
20% até 2020. Outro tema polêmico em Doha foi quanto a efetivação do Plano
Verde que obriga os países industrializados a captarem 100 bilhões de dólares
ano, até 2020, fundo esse que será destinado as nações subdesenvolvidas como
Brasil para recuperar suas florestas e outras ações. Essa proposta do fundo
verde iniciou suas discussões em Copenhague, Dinamarca, na Cop-15, porém sua
criação foi em Cancun, México, na Cop-16.
Na Cop-17 a Coréia do Sul foi o primeiro
país em oferecer recursos para a criação do fundo. Porém, tantos os Estados
Unidos como União Européia não seguiram o mesmo caminho da Coréia, alegando
indisponibilidade de recursos em decorrência da forte crise econômica que
assolam suas economias. Tanto a China como o Brasil cobram das nações ricas o
cumprimento dos acordos acerca da aplicação dos recursos.
Armadilhas e Manobras que Envolvem o Plano Diretor de Araranguá
Depois de quase dois anos de intensos debates e com a participação de dezenas de delegados (as) eleitos (as) democraticamente nos suas comunidades e participando efetivamente da construção de um Plano Diretor realmente viável e democrático para o município de Araranguá, no final da última semana, 14/12, uma notícia bombástica pegou a todos (as) de surpresa, inclusive o próprio grupo Gestor que coordena os trabalhos. A informação foi de que um documento com aproximadamente 40 emendas, 25 delas relativas ao meio ambiente, estará para ser protocolado na Prefeitura, possivelmente até o dia 17 de dezembro, e que deverá ser apresentado em SESSÃO EXTRAORDINÁRIA da Câmara de Vereadores no próximo dia 18/12/12, quarta feira, às 14 horas.
O que é mais grave em relação às emendas é de que os responsáveis pela sua elaboração e protocolamento não respeitaram os prazos regimentais previstos, sem contar é claro que muitos dos artigos ali contidos foram suprimidos ou vetados pelos (as) próprios (as) delegados (as) em reuniões ordinárias ocorridas anteriormente. Não podemos permitir comportamentos autoritários de indivíduos que vêm assumindo uma postura de testa de ferro de grupos de interesses e que apostam na passividade e ignorância da população araranguaense para fazer valer tudo aquilo que lhes interessam.
Acreditamos que o poder legislativo araranguaense jamais se deixará envolver-se por tamanha manobra política, sem precedentes na história de Araranguá, pois se assim ocorrer, terão que prestar esclarecimento a sociedade, justificando suas posições ao ato praticado.
Nesses três últimos dias, procurou-se de todas as formas convencer os interessados pela sessão extraordinária da câmara para rever tal postura e transferir para próxima gestão as discussões e apreciações do documento do plano diretor em decorrência da enormidade de questões ainda pendentes e que necessitam ser analisas. Sem contar que temas como Uso e Ocupação do Solo e Mobilidade Urbana ainda não foram discutidos pelos delegados e considerados um dos mais importantes do processo.
Diante da resposta do não cancelamento da sessão da câmara para o dia 18 e acreditando na imobilidade da sociedade em ocupar os espaços da mesma para condenar tamanho autoritarismo, estamos convocando a todos (as), cidadãos e cidadãs araranguaenses que ainda acreditam na lisura e transparência do legislativo e dos demais poderes constituídos, que estejam presente amanhã, quarta feira, 14 horas, a pressionar os legisladores para que não cometam tamanha irresponsabilidade e desrespeito tanto a população como também aos princípios da República e da Democracia.
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